6/08/2010

CADA UM O SEU CINEMA | ZHANG YIMOU

CADA UM O SEU CINEMA | DAVID LYNCH

A cada um o seu cineclube





Faz sentido termos um cineclube em Ponta Delgada? Eu diria que sim mas gostava de saber a vossa opinião. Já agora, o nosso mail é 9500cineclube@gmail.com. Mandem-nos sugestões. Gentis presentes também servem (galinhas, bananas, milho que podemos arrematar) e donativos, porque não? Sabiam que há uma modalidade em que por cem euros anuais poderão assistir a todos os nossos filmes sem ter de pagar o bilhete e ainda ter o vosso lugar cativo? Pois é, aproveitem. Se não souberem que uso haverão de dar ao vosso dinheiro, invistam em cultura. Parece que é o que está a dar. Fala-se em cidades culturais, em indústrias da cultura, por isso contribuam. Nem que seja para estarem na moda. Na minha opinião um cineclube é sinal de cultura. E que é um povo que não investe na sua cultura? Eu poderia dizer que é um calhau, já que não me consta que as pedras possuam alguma cultura. Mas não vou dizer isso. Sou demasiado bem educado para andar por aí a insultar as pessoas. Mas por acaso gostava que se percebesse o papel identificativo e basilar da cultura e de como é importante produzir e consumir cultura. Talvez tão importante como o pequeno almoço. Ver a telenovela é consumir cultura. desde que faça pensar. Alguns dos filmes do cineclube também podem fazer o espectador pensar : “Que grande seca”. Mas a verdade é que a nossa preocupação é programar obras que não sejam necessariamente chatas mas que dalguma forma induzam o espectador a interrogar-se. Ao contrario do que se possa pensar, a programação cineclubistica não é sisuda. O humor é fundamental. Provavelmente não faz é concessões ao riso alarve embora os pioneiros do cinema o tenham utilizado – veja-se o caso do “l’arroseur arrosé” dos irmõs Lumiére. Ontem, assisti a 33 curtas metragens integradas no projecto Chacun son cinema. Gostei mais dumas do que de outras. Como um filme de Elia Suleiman, que pratica um humor corrosivo fazendo habitualmente uso da sua personna imperturbável face a situações absurdas. Ou o humor negríssimo de Lars Von Triers que “despacha” um espectador inoportuno.
Daqui a duas semanas será a vez de Persepólis, um filme de animação mais do que comprometido. Não falhem.

Mário Roberto

6/02/2010

?

O cinema o que é? Divertimento? Alienação? Compreensão? Conhecimento? Pipocas e Coca-Cola? Nada disso? Tudo isso?

Num desses dias de sessões do 9500 cineclube vi duas meninas entrarem na sala com pipocas e coca cola, algo que eu não imaginava acontecer numa sessão cineclubística. O meu primeiro ímpeto foi agarrá-las pelos cabelos, despejar-lhes em cima o refrigerante e os grãozinhos de milho estofado e expulsá-las pelo sacrilégio cometido. Da parte dos meus correligionários da direcção nem um esgar aborrecido. Amansei. Embora me continuasse a irritar, irrita-me aderirem a uma espécie de aditivos para proporcionar mais prazer a ver um filme, uma espécie de preservativos com estrias. Será isso necessário ou trata-se apenas de mais uma manobra publicitária que deu certo? A minha indignação terá mais a ver com esse carneirismo de adesão, do que propriamente com o facto de se comer enquanto se vê um filme. Eu próprio gosto de fazê-lo no sossego do lar. Imaginava que o público dum cineclube estivesse mais interessado no filme do que em confortar os estômago, mas pareceu-me que as pitinhas tinham entrado ali algo equivocadas. Duvido mesmo que soubessem qual o filme que iriam ver. È que aqui não há cinema block-buster, ou seja cinema que mais do que sensibilizar, pretende agradar ao maior número possível de pessoas. E isso remete-me para outra dúvida. Será que quem aqui vem ver um filme se apercebe de que fazemos pouca ou nenhuma cedência ao cinema dito comercial? As pessoas estarão preparadas para ver obras que fogem a esses cânones? Acredito que a maior parte está sim, mas depois ouço queixas do género: “è só filmes franceses”. Sim, temos, por mero acaso, programado alguns filmes franceses. E depois? O que têm de mal os filmes falados em francês? E em coreano? E em polaco? A lingual em que é falado um filme é assim tão importante? Não haverá outras coisas mais importantes?Desculpem, mas não me parece um argumento válido. Gosto imenso de lingua de vaca num prato à minha frente, mas se me trouxerem lingua de chimpanzee, vou pelo menos provar e tentar compreender o seu sabor, e chegar à conclusão de que estou apenas a estranhar e que, com algum tempo, hei-de entranhar e passar a comer língua de primata com prazer. Para os anti–francofonia uma novidade: também teremos filmes falados em inglês. Mas por acaso há um realizador que nos tem mandado mails a propôr-nos a estreia do seu segundo filme. Não sei se vos faz alguma diferença mas o realizador em questão é um chimpanzé e o filme é inteiramente falado em chimpanzês.

Mário Roberto

6/01/2010

SESSÃO 18


Um filme absolutamente único, realizado por ocasião dos 60 anos do Festival de Cannes, reúne o modo como 33 cineastas de 25 países olham o cinema e as salas de cinema, lugar de comunhão dos cinéfilos do mundo inteiro. Objecto cinematográfico imperdível, autêntico compêndio do estado do mundo do cinema e das singularidade de cada cineasta.

rings