6/03/2010
6/02/2010
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O cinema o que é? Divertimento? Alienação? Compreensão? Conhecimento? Pipocas e Coca-Cola? Nada disso? Tudo isso?Num desses dias de sessões do 9500 cineclube vi duas meninas entrarem na sala com pipocas e coca cola, algo que eu não imaginava acontecer numa sessão cineclubística. O meu primeiro ímpeto foi agarrá-las pelos cabelos, despejar-lhes em cima o refrigerante e os grãozinhos de milho estofado e expulsá-las pelo sacrilégio cometido. Da parte dos meus correligionários da direcção nem um esgar aborrecido. Amansei. Embora me continuasse a irritar, irrita-me aderirem a uma espécie de aditivos para proporcionar mais prazer a ver um filme, uma espécie de preservativos com estrias. Será isso necessário ou trata-se apenas de mais uma manobra publicitária que deu certo? A minha indignação terá mais a ver com esse carneirismo de adesão, do que propriamente com o facto de se comer enquanto se vê um filme. Eu próprio gosto de fazê-lo no sossego do lar. Imaginava que o público dum cineclube estivesse mais interessado no filme do que em confortar os estômago, mas pareceu-me que as pitinhas tinham entrado ali algo equivocadas. Duvido mesmo que soubessem qual o filme que iriam ver. È que aqui não há cinema block-buster, ou seja cinema que mais do que sensibilizar, pretende agradar ao maior número possível de pessoas. E isso remete-me para outra dúvida. Será que quem aqui vem ver um filme se apercebe de que fazemos pouca ou nenhuma cedência ao cinema dito comercial? As pessoas estarão preparadas para ver obras que fogem a esses cânones? Acredito que a maior parte está sim, mas depois ouço queixas do género: “è só filmes franceses”. Sim, temos, por mero acaso, programado alguns filmes franceses. E depois? O que têm de mal os filmes falados em francês? E em coreano? E em polaco? A lingual em que é falado um filme é assim tão importante? Não haverá outras coisas mais importantes?Desculpem, mas não me parece um argumento válido. Gosto imenso de lingua de vaca num prato à minha frente, mas se me trouxerem lingua de chimpanzee, vou pelo menos provar e tentar compreender o seu sabor, e chegar à conclusão de que estou apenas a estranhar e que, com algum tempo, hei-de entranhar e passar a comer língua de primata com prazer. Para os anti–francofonia uma novidade: também teremos filmes falados em inglês. Mas por acaso há um realizador que nos tem mandado mails a propôr-nos a estreia do seu segundo filme. Não sei se vos faz alguma diferença mas o realizador em questão é um chimpanzé e o filme é inteiramente falado em chimpanzês.
Mário Roberto
6/01/2010
SESSÃO 18

Um filme absolutamente único, realizado por ocasião dos 60 anos do Festival de Cannes, reúne o modo como 33 cineastas de 25 países olham o cinema e as salas de cinema, lugar de comunhão dos cinéfilos do mundo inteiro. Objecto cinematográfico imperdível, autêntico compêndio do estado do mundo do cinema e das singularidade de cada cineasta.
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PROGRAMAÇÃO
5/27/2010
A FÁBRICA DO CONTO DE VERÃO
Até pode parecer que só gosto de documentários e afins, e é verdade que, pela segunda vez, os documentários que encerram o ciclo que dedicámos ao Erich Rohmer me levam a puxar da caneta (em sentido figurado, claro). É também verdade que nada disse sobre os outros 15(!!!) filmes que o 9500 Cineclube já exibiu em apenas 3 meses de actividade, ou porque já os conhecia, ou porque eu próprio os propuz para exibição (alguns), ou, ainda, e não há que ter receio de o dizer, porque me interessaram menos. Embora alguns, como as praias da Agnés ou as 5 da tarde da Samira, para citar apenas dois, o justificassem plenamente.
É claro que a crescente convicção de que falta à extraordinariamente dinâmica, pelo menos até agora, programação do cineclube uma verdadeira e mais alargada participação e discussão pela parte dos sócios e de outros presumiveis interessados, me move no sentido de procurar contribuir com a minha quota parte de opinião, reflexão e, porque não, provocação. Se houver reacções, sejam elas no sentido que forem, acredito que estas contribuirão para o enriquecimento do nosso cineclube.
Devo ainda dizer que estes dois documentários permitiram, a meu ver, que o ciclo dedicado ao Rohmer fizesse total sentido. Até porque os filmes do Rohmer que conseguimos obter para exibição nem sempre foram os que desejávamos mas antes, por vezes, os que conseguimos arranjar. Mas assim o ciclo cumpriu a sua função e, porconseguinte, o cineclube também.
Posto isto, e passando finalmente ao que aqui me traz, diria que esta "Fábrica do Conto de Verão" mostra, como talvez eu nunca antes tenha visto (a não ser no próprio plateau, claro), o que é a rodagem de um filme e, consequentemente, o que é a feitura de um filme. Digo isto com algum conhecimento de causa.
Está lá a aturada preparação de cenários, luzes, equipamentos vários; os ensaios ( "repetitions" como dizem, e bem, os franceses) dos actores mas, também, da camera e do som; as preocupações com o texto e com as posições e movimentos de todos; o problema dos raccords com a maré a subir muito rapidamente. Estão lá também as pausas, as esperas quase insuportáveis, a enorme tensão, bem como as cumplicidades, os momentos de descontração e a festa. Estão lá os planos em sequência caleidoscópica que a montagem virá a ordenar.
Para mim foi também uma espécie de "reencontro" com esse Pedro Hestnes francês que é o Melvil Poupoud, actor que conheço de outros fados (maiores ou menores). Mas aqui ele aparece no seu melhor comportamento!
Mas sobretudo está lá um enorme Erich Rohmer em torno de quem tudo se move. Pense-se o que se pensar da sua obra e eu não tenho menos respeito por ela, o que se vê é um verdadeiro "animal do cinema" atento a tudo, participando em tudo (até garantindo a posterior sincronização do som com a imagem), despoletando tudo, e superiormente filmado pela sua assistente dos últimos anos como possivelmente só ela o poderia fazer. A inteligência, o sentido de humor, a sensibilidade, a competência; tudo isso está lá. E o trabalho! Muito e árduo trabalho.
E tudo isto sem que seja necessário que alguém nos explique seja o que for! Não há voz off, não há entrevistas e qualquer um percebe tudo. Vou-me repetir mas só há um adjectivo: extraordinário!
Em sinal contrário apenas uma mágoa minha; não está lá a produção! Raramente está e aqui talvez se justifique, em parte, pelo reduzidissimo tamanho da equipa. Enfim...
João da Ponte
É claro que a crescente convicção de que falta à extraordinariamente dinâmica, pelo menos até agora, programação do cineclube uma verdadeira e mais alargada participação e discussão pela parte dos sócios e de outros presumiveis interessados, me move no sentido de procurar contribuir com a minha quota parte de opinião, reflexão e, porque não, provocação. Se houver reacções, sejam elas no sentido que forem, acredito que estas contribuirão para o enriquecimento do nosso cineclube.
Devo ainda dizer que estes dois documentários permitiram, a meu ver, que o ciclo dedicado ao Rohmer fizesse total sentido. Até porque os filmes do Rohmer que conseguimos obter para exibição nem sempre foram os que desejávamos mas antes, por vezes, os que conseguimos arranjar. Mas assim o ciclo cumpriu a sua função e, porconseguinte, o cineclube também.
Posto isto, e passando finalmente ao que aqui me traz, diria que esta "Fábrica do Conto de Verão" mostra, como talvez eu nunca antes tenha visto (a não ser no próprio plateau, claro), o que é a rodagem de um filme e, consequentemente, o que é a feitura de um filme. Digo isto com algum conhecimento de causa.
Está lá a aturada preparação de cenários, luzes, equipamentos vários; os ensaios ( "repetitions" como dizem, e bem, os franceses) dos actores mas, também, da camera e do som; as preocupações com o texto e com as posições e movimentos de todos; o problema dos raccords com a maré a subir muito rapidamente. Estão lá também as pausas, as esperas quase insuportáveis, a enorme tensão, bem como as cumplicidades, os momentos de descontração e a festa. Estão lá os planos em sequência caleidoscópica que a montagem virá a ordenar.
Para mim foi também uma espécie de "reencontro" com esse Pedro Hestnes francês que é o Melvil Poupoud, actor que conheço de outros fados (maiores ou menores). Mas aqui ele aparece no seu melhor comportamento!
Mas sobretudo está lá um enorme Erich Rohmer em torno de quem tudo se move. Pense-se o que se pensar da sua obra e eu não tenho menos respeito por ela, o que se vê é um verdadeiro "animal do cinema" atento a tudo, participando em tudo (até garantindo a posterior sincronização do som com a imagem), despoletando tudo, e superiormente filmado pela sua assistente dos últimos anos como possivelmente só ela o poderia fazer. A inteligência, o sentido de humor, a sensibilidade, a competência; tudo isso está lá. E o trabalho! Muito e árduo trabalho.
E tudo isto sem que seja necessário que alguém nos explique seja o que for! Não há voz off, não há entrevistas e qualquer um percebe tudo. Vou-me repetir mas só há um adjectivo: extraordinário!
Em sinal contrário apenas uma mágoa minha; não está lá a produção! Raramente está e aqui talvez se justifique, em parte, pelo reduzidissimo tamanho da equipa. Enfim...
João da Ponte
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TEXTOS
5/21/2010
PROVAS ABONATÓRIAS
Extraordinária lição de cinema e de reflexão sobre os meios adequados a cada tipo de filme e sobre a própria história do cinema! Não sendo um dos meus realizadores preferidos, embora o considere interessante e veja a sua obra com respeito, fica claro neste documentário/entrevista de André Labarthe com Jean Douchet que Rohmer é um profundo pensador da 7ª Arte e as razões porque tem lugar incontestado entre os fundadores da "nouvelle vague", esse cinema de "autor". Foi pena a pouca afluência de público mas esta tem sido uma constante nas últimas sessões. Será actividade a mais?
João da Ponte
4/20/2010
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