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3/03/2010

SOBRE CINECLUBES

A nova Direcção do Cineclube do Porto está empenhada em tirar do “coma” aquela que é a associação mais antiga do género no país. Incertezas quanto à sede e uma grande dívida para pagar são os dois grandes problemas da recém-eleita equipa. Actualmente com apenas 48 associados, o Cineclube do Porto inicia no final deste mês uma campanha de rua que visa, precisamente, angariar sócios. A iniciativa terá lugar em zonas estratégicas da cidade, sobretudo na Baixa, desenvolvendo-se em duas vertentes: será pedido às pessoas que assumam um compromisso simbólico, deixando-se fotografar como cartaz alusivo à campanha e, por outro lado, que concretizem a sua inscrição no clube.

Assumindo o mesmo lema do site oficial “www.votecineclubedoporto.org”, ainda em preparação, a campanha vai estender-se até 15 de Abril, dia em que começa a segunda iniciativa pública organizada pela recém-eleita Direcção do clube. Trata-se da comemoração do 65.º aniversário, que se prolonga por três dias. A ocasião será marcada pelo retomar das sessões de cinema e pela apresentação da nova linha de programação regular, subordinada a uma lógica de sessões duplas de “filmes em conflito”,como referiu ao JN José António Cunha, o presidente.

Três salas possíveis
Não sendo possível usar a sala de projecção da sede, o clube tenciona recorrer a uma das salas de cinema da cidade (Passos Manuel, Nun’Álvares e pequeno auditório do Rivoli são as hipóteses mais lógicas), tanto para o aniversário como para as sessões quinzenais previstas para o futuro. Entre os objectivos imediatos está também a inventariação, em suporte digital, do acervo do clube (alémde cerca de 90 filmes em vários suportes, inclui livros, fotografias e cartazes). Por outro lado, a nova Direcção quer recuperar a designação de origem – Clube Português de Cinematografia, mas sem cortar com o nome por que é mais conhecido o clube – para dar à estrutura um carácter mais abrangente. Em paralelo, há dois grandes problemas para resolver. Um deles é uma dívida de 50 mil euros ao Instituto do Cinema e do Audiovisual (31 mil correspondentes a um subsídio para devolver, montante que está depositado num banco, mais os juros correspondentes. O outro é o impasse sobre obras na sede, sita à Rua do Rosário, num edifício agora nas mãos de oito proprietários. Já foi pedida uma reunião com o presidente da Câmara, Rui Rio, para se tentar encontrar uma solução para o problema. “Acima de tudo, nós estamos optimistas”, refere aquele responsável, sublinhando que a equipa que lidera inclui “gente ligada ao cinema,mas também à economia e às leis”. Fundado por Hipólito Duarte em 1945, o clube tinha, em 2005, cerca de 300 sócios.

São cerca de 30 as associações inscritas na Federação Portuguesa de Cineclubes que se mantêm no activo, de uma ponta a outra do país. Segundo Rita Freitas, presidente da estrutura, é de crer que haja, ainda, “bem mais do que dez cineclubes” conhecidos e não federados. Por outro lado, estão em formação novas estruturas, como são os exemplos chegados da cidade de Ponta Delgada e da ilha Terceira, nos Açores, que se juntam à já existente na cidade da Horta.

Fundado em 1956, o Cineclube de Faro é dos poucos a orgulhar-se de manter uma actividade ininterrupta. Tem 359 associados, embora nem todos com as quotas em dia, e desenvolve a sua actividade em duas linhas, comuns à grande maioria: exibição de cinema português, europeu e ibero-americano, por um lado; por outro, formação de público para cinema de qualidade. É, segundo Anabela Moutinho, presidente do clube, uma “actividade microscópica, mas que nunca parou em Faro”. Em 2006, o clube exibiu “Dom Roberto”, realizado em 1962 por Ernesto de Sousa e com Raul Solnado no principal papel. O filme nasceu do movimento cineclubista e, nesta reposição recente, contou com uma banda sonora original de Bernardo Sassetti, custeada pelos sócios do clube de Faro, que, aliás, já havia sido pioneiro nas homenagens nacionais ao actor Mário Viegas e aos realizadores António Reis e Augusto Cabrita. “O que tem sido traço comum dos cineclubes, a nível nacional, é a sua resistência”, refere-nos a mesma responsável, salientando que “há sempre um público para os cineclubes, porque é umpúblico que não é satisfeito pelas salas multiplex”. Rita Freitas acrescenta outro factor, que passa por uma mudança de mentalidades: “Há a necessidade de se falar dos filmes e a maior parte dos cineclubes tem esse espaço de debate, nem que seja pontualmente”.

ISABEL PEIXOTO no JN de 23 de Fevereiro
ipeixoto@jn.pt

2/25/2010

LEITURAS CINÉFILAS



A análise do filme | Jacques Aumont e Michel Marie [2010]
Edição: Edições Texto & Grafia | 216 págs. | 19,80€

SINOPSE: Esta obra fundamental da teoria do cinema, aborda as diversas análises de filmes praticadas dos anos 70 em diante. Baseando-se em exemplos concretos, os autores apresentam e comentam aquelas que consideram ser as melhores análises, bem como os respectivos contributos metodológicos. Procurando definir a actividade de análise, são também abordadas as análises "textual", a narratológica aplicada ao filme e a da imagem e do som. Tendo sempre presentes as relações da análise com a história, que estão na origem deste tipo de investigações, chama-se a atenção para o facto de não haver uma solução única para a análise fílmica, sendo antes discutido um conjunto de métodos possíveis. Jacques Aumont e Michel Marie são dois especialistas de renome internacional na área da teoria do cinema Ambos leccionam na Sorbonne e têm vasta obra publicada (alguns títulos já traduzidos pelas Edições Texto & Grafia). Este livro destina-se a alunos de cursos de cinema, televisão e audiovisual, interessando especialmente aos investigadores e críticos da área do cinema, sempre em busca de obras sobre esta temática.

2/24/2010

LEITURAS CINÉFILAS



O Cinema chegou a Portugal | A. J. Ferreira [2010]
Edição: Bonecos Rebeldes | 68 págs. | 8,10€

SINOPSE: António dos Santos Júnior, empresário do Real Coliseu de Lisboa, na rua da Palma, em Lisboa, comprara um projector chamado animatógrafo Rousby, o qual iria revelar a fotografia animada projectada ao público português, em 17 de Junho de 1896. O "número" de Rousby foi anunciado como "animatógrapho e cinematógrapho". Mas as coisas correram mal, pois o Real Coliseu não tinha elctricidade e o gerador alugado não foi eficaz, pelo que os 200 convidados tiveram de aceitar as desculpas de Rousby. No dia seguinte, a apresentação correu bem melhor, com oito filmes que duravam de 20 segundos a um minuto cada.

Nessa altura, estava em cena uma opereta no Real Coliseu, O comendador Ventoinha, em três actos. O "animatógrapho e cinematógrapho" foi apresentado num dos intervalos, sem encarecer o preço: 100 réis na geral. Havia um ecrã de tela branca, com dimensão de três por 2,5 metros, com a projecção feita nas costas do ecrã, humedecido para aumentar a transparência. Na escuridão da sala, sucederam-se exlamações impertinentes e obscenas, havendo espectadores que solicitariam maior controlo para evitar tais zaragateiros.

2/23/2010

Cineclubismo


Dentro da actual sede, encontra-se um dos maiores tesouros do Cineclube do Porto. Um espólio que foi sendo adquirido desde 1945, data da fundação do Cineclube. Numa sala do espaço estão centenas de publicações especializadas, maquinaria e películas. De acordo com a direcção, o espólio está preservado.

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