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5/16/2011

SESSÃO 67

::: CICLO CINEMA NO FEMININO :::

CEREJEIRAS EM FLOR, de Doris Dörrie


A história de uma amor abnegado e de uma viagem poética até ao fundo do ser: só Trudi sabe que o marido, Rudi, sofre de cancro em fase terminal. Quando o médico propõe que os dois façam uma derradeira viagem juntos, Trudi convence o marido a irem visitar os filhos e os netos em Berlim. Mas estes estão demasiado atarefados com as suas próprias vidas para se ocuparem com eles.

Depois de assistirem a uma representação de um dançarino de butoh, Trudi e Rudi viajam para o Mar Báltico, onde se instalam num hotel. Aí, Trudi morre subitamente. Rudi fica completamente desorientado, sem saber o que fazer à sua vida. Até que decide viajar para o Japão, para se encontrar com Karl, o seu filho mais novo.

A realizadora alemã Doris Dörrie não poupou esforços para que CEREJEIRAS EM FLOR se tornasse um filme belo, delicado e, ao mesmo tempo, impactante.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

4/10/2011

SESSÃO 62

::: CICLO CINEMA NO FEMININO :::

NO INVERNO HÁ UM ANO, de Caroline Link



Uma arquitecta de interiores encomenda um quadro a Max Hollander, artista de renome, no qual serão pintados os seus dois filhos.

A filha não gosta da ideia, pois o seu irmão, Alexander, cometeu suicídio e para ela um retrato de ambos não teria outro carácter senão decorativo. Desta forma, aquele quadro provocará mudanças em todos os que directa ou indirectamente estão envolvidos com ele.



11 de Abril (Segunda-Feira), pelas 21h30, no Cine Solmar

3/21/2011

SESSÃO 59

::: CICLO CINEMA NO FEMININO :::

CURTAS DE AGNÈS VARDA - PARTE 2


Agnès Varda é uma das mais importantes cineastas da actualidade. Foi a autora de DUAS HORAS DA VIDA DE UMA MULHER (1961), um dos porta-estandartes da Nouvelle Vague, e desde aí vem flutuando livremente entre a ficção e o documentário, entre a curta e a longa-metragem.

Citando Agnès Varda: «Apesar de o seu cinema ter uma marca documental, carácter social e feminista, o seu maior combate no cinema é "fazer sempre algo de novo", sem perder o traço experimental, e transmitir emoções».

Parte II
. AS CURTAS TURÍSTICAS
O Seasons, O Chateaux... (1957) 21’
Pleasure of Love in Iran (1976) 6’
Coasting Along the Coast (1958) 26’

. CINEVARDAPHOTO
Ydessa, the bears and etc... (2004) 43’
Ulysses (1982) 21’
Hi there, Cubanos (1962-63) 28’

Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar

1/19/2011

SESSÃO 48

::: CICLO CINEMA NO FEMININO :::

ENTARDECER, de Angela Schanelec



As personagens principais de A Gaivota, de Chekhov, reúnem-se durante três bucólicos e terríveis entardeceres de Verão.

Irene, actriz de teatro, vai para a sua casa no lago nas proximidades de Berlim, onde residem o seu irmão mais velho, Alex, juntamente com o filho Konstantin. Verão, Sol, lago — aparentemente um cenário idílico, mas as personagens estão escondidas em si mesmas. Uma atmosfera de cansaço, tristeza e amor perdido paira sobre as cenas quotidianas...



24 de Janeiro (Segunda-Feira), pelas 21h30, no Cine Solmar

12/19/2010

SESSÃO 43

::: CICLO CINEMA NO FEMININO :::

A TETA ASSUSTADA, de Claudia Llosa



Fausta sofre de uma doença que se transmite através do leite materno de mulheres que foram violadas durante a guerra civil no Perú. A guerra acabou mas Fausta continua doente, uma doença provocada pelo medo que lhe rouba a alma. Mas, agora, a morte súbita da mãe obriga-a a confrontar-se com os seus medos e os seus segredos: os truques que utiliza para se proteger de uma possível violação. Esta é a história do seu renascimento, uma longa viagem do medo para a liberdade.



Amanhã, pelas 21h30, no Cine Solmar

10/12/2010

SINAL DE ALERTA (2006), de Andrea Arnold



Manipulador e inquietante, SINAL DE ALERTA explora duas linhas narrativas que se revelam, simultaneamente, autónomas e interactivas: o descontrolo emocional da sua protagonista, Jackie (Kate Dickie, que nos faz lembrar uma jovem Helen Mirren), e a peculiar análise às consequências da segurança urbana na presente era digital, marcada pela omnipresente tecnologia que acompanha, na sua quase totalidade, o nosso paradeiro quotidiano.

O mérito desse feito vai, indiscutivelmente, para a realizadora Andrea Arnold. Esta sua primeira longa-metragem coloca o espectador numa zona de desconforto logo a partir dos primeiros minutos, situando-o numa sala iluminada pelas imagens provenientes dos monitores de vigilância que Jackie controla, destacando câmara após câmara num ecrã principal, tentando vislumbrar actividades suspeitas num cenário aparentemente interminável — a saber, um desolador bairro social de Glasgow, cuja arquitectura consegue ser, por si só, personagem em SINAL DE ALERTA.



Alternando os vários pontos de vista que se lhe deparam, Jackie deixa-se cativar e entreter por histórias da vida real, como o homem que passeia uma cadela debilitada fisicamente ou o entusiástico talento para a dança de uma empregada de limpeza. Contudo, a segurança urbana é a sua prioridade e, um dia, observa, com apreensão, a perseguição movida por um homem a uma mulher num beco mal iluminado. «Falso alarme», informa ela a um segurança, quando percebe que o casal apenas procura local recôndito para um fortuito encontro sexual.

Subitamente (num brilhante momento de horror voyeurístico que invejaria Brian De Palma), Jackie agarra o joystick da câmara de vigilância e efectua zoom sobre o homem (Tony Curran, num registo imprevisível) que veste as calças. Através daquela "janela" digital, vislumbra-se um rosto que ela aparenta reconhecer. Um rosto pelo qual ficará obcecada e devastada. Rapidamente, começa a vigiar este indivíduo, percebendo a sua rotina diária e memorizando as suas acções. Não tarda que da mera perseguição vídeo, ela inicie a interacção com este desconhecido que está relacionado com algum episódio amargo do passado de Jackie e, para o espectador, a compreensão deste estranho comportamento.



A princípio, SINAL DE ALERTA parece ser uma obra sobre a natureza de quem observa, impunemente, a vida de quem não sabe estar a ser observado. Andrea Arnold, pouco interessada em espicaçar opiniões sobre a crescente ausência de privacidade nas sociedades modernas, constrói um thriller suportado numa contida e minimalista (adjectivos que também descrevem a natureza técnica do filme) descoberta das motivações de Jackie, e não em cansativas sequências de acção vertiginosa ou sustos gratuitos. A nossa pressão arterial aumenta com a representação do conflito quase impassivo entre as duas personagens — que culmina numa sequência de forte carga sexual extraordinariamente perturbadora e ambígua. Ou na forma como a cineasta nos transforma no mesmo tipo de voyeur que Jackie é durante grande parte do filme, aumentando o nosso já referido desconforto através de um "vocabulário" cinematográfico constituído por monitores desfocados, fotografia agressiva e trabalho de câmara "irrequieto".

Pouco dependente de diálogos e, a certa altura, ameaçando perder-se em demasiados sub-plots, a narrativa de SINAL DE ALERTA acaba por se revelar admiravelmente coesa. Tudo se conjuga no final, em grande parte pelo desempenho de Kate Dickie — é incompreensível que não possua uma carreira mais notória — numa fascinante demonstração de força e mágoa.

Samuel Andrade

3/22/2010


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